As oliveiras são muito especiais e eu luto por fixar tudo isto. São prateadas, às vezes azuladas ou esverdeadas, bronzeadas, branqueando a terra amarela, rosa violeta, ou alaranjada, até ao ocre vermelho. Mas muito difícil, muito difícil. Mas isso agrada-me e atrai-me para trabalhar em ouro e prata. E um dia, quem sabe, farei disso uma impressão pessoal como os girassóis estão para os amarelos”.
Van Gogh
A oliveira é uma das plantas mais antigas conhecidas pela humanidade. Fósseis de ancestrais de oliveiras de 20 milhões de anos foram encontrados na Itália. Os primeiros cultivos de oliveiras, porém, são mais recentes. Tiveram início por volta do ano 5000 antes de Cristo, na região mais oriental do mediterrâneo. Com o passar do tempo, seu cultivo se espalhou de Creta para a Palestina, Israel, Síria, Turquia, Cyprus e Egito. Até o ano de 1500 AC a Grécia era a área de maior cultivo. Com a expansão das colônias Gregas, o cultivo de oliveiras chegou à Itália, Norte da África e, posteriormente, Sul da França.
Devido a sua grande força, que suplantava condições adversas de clima e solo, as oliveiras eram tidas como imortais. Símbolo de abundância e glória foram protegidas por Reis que impunham leis de plantio e proteção. Os Romanos tinha regras de plantio para toda a região mediterrânea. Os hebreus tinham leis de conservação e segurança, tendo o Rei Davi, soldados que guardavam especialmente os campos de oliveiras.
A importância das oliveiras na Antigüidade ficou bem caracterizada na sociedade Helênica. Foi determinado que aquele indivíduo que cortasse uma oliveira era condenado à morte ou ao exílio. O óleo de oliva foi chamado por Homero de ouro líquido, e era corrente a crença de que o óleo concedia força e juventude, sendo muito mais que um alimento. Era utilizado como medicamento e cosmético, produzia fascinação e era tido como fonte de bem estar e poder, tanto que os atletas gregos o passavam sobre o corpo num ritual místico, antecedendo às competições.
O óleo de oliva, antes de ser usado como alimento ou bálsamo, foi usado em cerimônias religiosas na Ilha de Creta. Os hebreus o colocavam no castiçal de sete taças, no templo em Jerusalém, e o usavam também na unção dos Reis de Israel. Muitas religiões tradicionais utilizaram, e ainda utilizam, o óleo de oliva em seus ritos, bênçãos, unções e sacramentos.
Mas foi, sem dúvida, como o mais puro dos alimentos que o óleo de oliva se consagrou por todo o mediterrâneo. A oliveira atravessou milênios de história como símbolo de glória, purificação e paz. Seu óleo mágico chegou ao nosso tempo e continua sendo fonte de saúde e vida longa.
ABRAÇANDO NOSSA OLIVEIRA
TEATRO
AS PARTES DA ÁRVORE
PERSONAGENS:
Narradora: Menino , Árvore , Raiz , Caule , Folha , Flores e Frutos
ATO ÚNICO
Cena I
NARRADORA (de um canto do palco, fala à platéia, enquanto entra a ÁRVORE e se coloca no centro do palco): Ricardo, preocupado com as lições que aprendeu na escola, deitou-se à sombra de um castanheiro e adormeceu. No seu sonho aconteceram coisas interessantes. Havia até uma árvore que falava. Vamos conhecer o sonho do Ricardo? Então, vamos ficar quietinhos para não o acordar.
O MENINO encosta-se à árvore e, em posição relaxada, adormece.
ÁRVORE (para o MENINO): Por que é que estás tão pensativo?
MENINO (leva um susto): Quem está aí? (levanta-se)
ÁRVORE – Sou eu.
MENINO (olhando para todos os lados, assustado): Eu, quem?
ÁRVORE – Sou eu, o castanheiro. Estou a fazer sombra para que tu penses melhor sobre as lições de casa.
MENINO – Como é que tu sabes que eu trouxe trabalho da escola?
ÁRVORE – Ora, todos os meninos que estudam trazem deveres para casa...
MENINO (pensativo): É... Eu estou muito preocupado...
ÁRVORE – Preocupado? Com quê?
MENINO – Com o assunto que a professora explicou hoje na escola.
ÁRVORE – Sobre o quê? Talvez eu possa ajudar...
MENINO – Tu?! (pára e pensa): Pensando bem, até és a mais indicada para isso.
ÁRVORE – Eu? Porquê?
MENINO – Porque é exatamente sobre a árvore.
ÁRVORE – Ah, sim... então tens razão. O que queres saber sobre a árvore?
MENINO – Tudo! (baixa-se e, enquanto fala, ergue-se aos poucos – mímica do nascimento da árvore) - Como nasce... Como cresce... E como fica bonita, assim como tu.
ÁRVORE – Está bem. Vou-te contar a minha história. Certo dia, o teu pai cavou a terra e colocou lá uma sementinha de castanheiro...
MENINO – E deixou-a assim?
ÁRVORE – Não! Deixa, que eu explico; assim tu poderás plantar uma árvore, também. O teu pai cobriu a sementinha com terra, para me proteger. Aí, eu comecei a germinar... uns dias depois.
MENINO – Mas ninguém cuidou de ti?
ÁRVORE – Sim. Todos os dias o teu pai vinha regar-me e observar o meu desenvolvimento.
MENINO – Mas para que é que tu precisas de água?
ÁRVORE – Como tu precisas de água para beber e de te alimentares, eu também preciso.
MENINO – O que é que tu comes?
ÁRVORE – A minha comida é bastante diferente da tua... Alimento-me de água e sais minerais. Bem, vou apresentar-te as partes que compõem o meu corpo. Assim poderás entender melhor.
Cena II
A ÁRVORE sai e entram as partes dela, que se colocam nas seguintes posições (em fila, uma trás das outras):
RAIZ – de cócoras, braços relaxados e cabeça baixa;CAULE – de joelhos, cabeça baixa, em posição ereta;
FOLHA – de pé, com os braços abertos lateralmente e com as mãos caídas;
FLORES – de pé, braços abertos em “V”, mãos caídas;
FRUTOS – de pé, braços para cima.
MENINO – Quem vem primeiro?
RAIZ – Sou eu, a raiz.
MENINO – O que tu fazes?
RAIZ (levanta a cabeça): Eu retiro da terra certos alimentos que dão força à árvore e a fazem crescer. Água e sais minerais! (baixa a cabeça).
MENINO – E tu? O que fazes?
CAULE (levanta a cabeça): Eu sou o caule. Eu levo o alimento para as outras partes da planta. Também seguro os ramos com as suas folhas, flores e frutos. (baixa a cabeça)
MENINO (apontando): E tu ?
FOLHA – Eu sou a folha. É por mim que a planta respira.
MENINO (sorrindo): Então, tu és o nariz da árvore?
FOLHA – Mais ou menos isso.
FLOR – E eu sou a flor.
MENINO – Ah, já sei! Tu enfeitas o vaso da minha casa...
FLOR – Sim, eu enfeito o vaso da tua casa. Mas a minha maior função é a de criar frutinhos que tu vais saborear e que darão novas árvores.
FRUTO – Eu sou o fruto e muito gostoso. É de mim que o teu pai fará nascer outro castanheiro. É a semente de que a árvore te contou.
RAIZ, CAULE, FOLHA, FLOR e FRUTO (em coro):
Agora que você já sabes as cinco partes da planta, poderás estudar a tua lição sem nenhuma preocupação.
Cena III
Saem as partes da planta e retorna a ÁRVORE.
ÁRVORE – Como é, gostaste de me conhecer?
MENINO – Muito! Nunca pensei que tivesses isso tudo.
ÁRVORE – Como tu agora já aprendeste, deves contar aos teus amiguinhos que a árvore tem vida e que sentimos muito quando vocês nos maltratam, cortando os nossos frutos ainda verdes, arrancando nossas folhas inutilmente... ou partindo os nossos ramos por maldade.
(O MENINO encosta-se sob a ÁRVORE e volta a adormecer).
Depois de algum tempo, a ÁRVORE deixa cair uma folha sobre o MENINO e este, assustado, desperta.
MENINO – Não, não fui eu quem te arrancou esta folhinha, dona Árvore! (Observa, algo surprendido...) :- Mas... por que será que a árvore não respondeu? (pensa): - Será que eu sonhei? Mas que sonho agradável! (vai saindo): Agora vou poder estudar melhor.(Olha para a platéia): - Tchau! (e sai)
F I M
Nota: este texto pode ser apresentado em ambientes escolares, livremente, sem pagamentos de taxas a título de Direitos Autorais. Trata-se de texto didático.
A única exigência que se faz é que, ao ser apresentado, seja divulgada à platéia a importância do Teatro Educativo na formação integral da criança.
Adaptação de Vaz Nunes - 2003
Retirado do site EDUCOM http://web.educom.pt/





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